Seu cão está com dor de ouvido? Pode ser otite! Saiba como tratar

De repente, o cão é visto chacoalhando a cabeça, comportamento que vai se tornando mais frequente, Alguns dias depois, ele passa a coçar uma das orelhas, a qual começa a exalar mau cheiro. O cão deixa de querer brincar e se torna apático. Parece incomodado e realmente está. Quando o problema evolui, aparece secreção, que pode ser escura, com pus ou sangue no ouvido e eventual inchaço. Ao tocar nela, percebe-se que está quente e o cão se esquiva, dando a dimensão da dor que sente. Em alguns casos, o conduto auditivo, de tão inflamado, chega a ficar fechado (estenosado).

Esse conjunto de sintomas é típico das otites externas, as mais frequentes em cães e tema deste artigo. Para maior clareza, otite é um termo médico que se refere a um conjunto de doenças que acometem o ouvido. São chamadas de externas as otites que ocorrem no conduto auditivo, o qual vai do pavilhão auricular – a orelha propriamente dita – até o tímpano (existem também as otites médias e internas).

Diagnóstico

O profissional qualificado para diagnosticar otites em cães é o médico-veterinário, de preferência o especializado em dermatologia.

Ao elaborar o diagnóstico, o profissional se inteira do histórico do cão, de como é a conformação do pavilhão auricular do animal (varia conforme a raça e tem influência direta na facilidade da instalação da doença e em sua gravidade), da característica externa da orelha acometida (se amputada, se malformada, etc.), do cheiro, do tipo de secreção, da existência ou não de estenose.

Se a suspeita for de otite causada por leveduras, ácaros ou bactérias, é pedido exame de cerúmen. Quando bactérias são responsáveis pelo problema, podem ser solicitados exames laboratoriais complementares. Além dessas causas mais frequentes, também são bastante comuns as otites externas decorrentes de alergia a ingredientes alimentares ou a fatores ambientais. Há ainda otites resultantes de corpo estranho no conduto auditivo, como grama e sementes, e resultantes de pólipos ou de tumores. Outros casos são provenientes de doença autoimune, como pênfigo foliáceo, ou de falha na renovação de pele (disqueratinização), problema frequentemente encontrado em Cockers.

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Tratamento

Dependendo da causa da otite e de o tratamento ter sido iniciado precocemente, a cura pode demorar apenas alguns dias, com medicamento passado no ouvido e/ou dado por via oral. Mas o tratamento poderá se tornar mais trabalhoso e oneroso, a ponto de precisar de meses, se o problema tiver chegado à clínica em estágio avançado, muitas vezes com consequências ruins para o cão, como distúrbios de equilíbrio e marcha, surdez permanente, cirurgias mutiladoras, etc. O excesso de material depositado no conduto auditivo doente pode requerer lavagem ótica, procedimento que deve ser realizado sob anestesia geral e por profissional altamente qualificado, Às vezes, uma sequela de otite externa, como quando o canal auditivo fica mais estreito, requer correção por cirurgia.

Existem também otites para as quais é indicada cirurgia plástica. Entram nessa categoria as causadas por malformação no conduto auditivo (que as perpetua) e por malformação do pavilhão auricular bem como as orelhas pendentes que abafam, as orelhas que criam dificuldade de aeração e de eliminação das secreções.

Prevenção

Os cuidados contra as otites externas consistem basicamente em evitar a entrada excessiva de água no ouvido e em fazer limpeza rotineira da parte externa do pavilhão auricular com produtos próprios para esse fim, por profissional qualificado que poderá avaliar eventuais secreções quanto a serem normais ou relacionadas com doença. Jamais deve ser inserido algo no conduto auditivo canino, que é autolimpante, ou seja, elimina as secreções internas por conta própria. Quando se insere haste com algodão ou qualquer outro instrumento de limpeza no ouvido, a secreção é empurrada e compactada, desregulando o sistema e, muitas vezes, causando a otite. A recomendação é contar com orientação de médico-veterinário antes de começar a fazer a prevenção.

 

Artigo elaborado por Alexandre Pasternak, clínico dermatólogo veterinário.
Fonte: Cães & Cia Ed. 383

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Sobre o autor: Enciclopets

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